CORREIO SALVADOR

Áquiles do MPB4

Maxixe Urbano (Kuarup) é um dos álbuns (o outro é Sinfonia Latina) com os quais a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo comemora 25 anos. Referência na leitura contemporânea do repertório para bandas sinfônicas, seu regente, Marcos Sadao Shirakawa, tem os 82 músicos do grupo nas mãos – o que só engrandece, e muito, os arranjos. Tendo como spallas o saxofonista Marcos Pedroso e a clarinetista Marisa Lui, a banda tem como principal característica valer-se mormente de sopros, com apoio de percussão, piano e contrabaixo.

O norte-americano Daniel Havens, que já foi regente da BSESP, compôs Festival Overture. Alternando variações sonoras, marca registrada do repertório feito para bandas sinfônicas, o início apresenta a obra, com o tímpano num impecável crescendo. Logo os trompetes tocam algo que se parece a uma chegada triunfal. Os timbres ecoam em variadas formações instrumentais, o que valoriza as músicas em seus mais diversos compassos. Ocasiões que clareiam a grande capacidade criativa de seu autor, ainda mais quando acrescidas do sentimento com que os instrumentistas impregnam cada nota. Em seguida ao tempo em que os trompetes soaram como fanfarras, surgem  instantes ora dramáticos, ora líricos da música. É quando a beleza envolve ouvidos e mentes.

ALEXANDRE TRAVASSOS criou Danças do Autômato para a banda. Repleta de divisões rítmicas intrincadas, a peça exige muita técnica dos instrumentistas. Ainda assim, eles “brincam” com a dificuldade da música, dando vida à alegria proposta pelo autor.

A singeleza de alguns momentos remete à trilha sonora de filmes infantis. Em sua ligeireza, a interpretação poderia dar a falsa impressão de ser um mero alvoroço – risco possível se executada “frouxamente” – mas isso de forma alguma acontece.

Frevo Rasgado (André Mehmari) composto com a modernidade que caracteriza o autor quando era “compositor residente” da banda, tem como ponto de partida o ritmo contagiante do gênero e a citação de frevos famosos. E eles vêm rasgados, como se descessem uma ladeira de Olinda. Em cada compasso em que dão o ar da sua graça, esses frevos erguem a pressão às alturas. Meu Deus!

Da mesma forma que Mehmari se valeu de inserções aleatórias de músicas famosas, o saudoso maestro Ciro Pereira integrou sucessos de Gonzagão à sua Gonzagueando. A originalidade desse recurso, que parece nos levar a um forró no pé da serra, fez de sua composição uma merecida festa em homenagem ao Rei do Baião.

Na mesma toada de Mehmari e Pereira, Alexandre Dalóia criou Suite Carmem Miranda. Citados com maestria por seu autor, lá estão grandes sucessos da Pequena Notável, quando ritmos variados lhes dão ainda mais sabor. Ao ouvi-los, vem à tona os castos carnavais de outrora. Na festa comemorativa dos 25 anos de existência, tocando músicas compostas por seus integrantes, a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo é competência em cada compasso deste belo disco

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