A apresentação da Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos na noite do último sábado (18) teve sabor de luta e resistência. Na contramão de iniciativas como as das cidades de São Paulo e São José dos Campos, por exemplo, que recentemente encerraram as atividades de suas orquestras sinfônicas, a Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer fomenta a continuidade da OJMG, um patrimônio cultural da cidade de Guarulhos.

Sob regência do maestro Emiliano Patarra, o espetáculo Rock em Concerto emocionou uma plateia de quase 800 pessoas no Teatro Adamastor, que não economizou aplausos efusivos a cada execução do repertório recheado com grandes clássicos do rock.

Para Edvaneide Almeida Santos, mãe do clarinetista Josué Rodrigues dos Santos Junior, de 19 anos, a apresentação do jovem na noite deste sábado teve sabor de comemoração, já que em poucos dias ele ingressa na graduação em música pela UNESP: “Nós gostamos muito da música clássica e acredito que para ele a apresentação de hoje será um grande desafio. Acho que essa mistura da música erudita com o rock vai ficar muito bonita”.

Um repertório digno da Orquestra Jovem

Foto: Yve de Oliveira / PMG – Secel

Para levar a cabo o desafiante projeto de unir o clássico e o popular, a OJMG convidou o cantor Christopher Clark, que impressionou pela versatilidade com a qual interpretou clássicos de vocais ímpares e distintos como Ian Guillan, Robert Plant, Ozzy Osbourne, David Gilmour, Mick Jagger e George Harrison.

Foto: Yve de Oliveira / PMG – Secel

Dono de uma voz poderosa, Chris também deu vida a intérpretes americanos como Axl Rose, Michael Jackson, Kurt Cobain, Steve Tyler, entre outros.

Para o talentoso cantor, atuar junto a uma orquestra foi uma experiência inédita: “Fiquei muito contente pelo convite, sobretudo pelo projeto que é sensacional, gostei muito da sonoridade, a mistura da orquestra com a banda ficou realmente incrível. A música tem o poder de tocar as pessoas, é capaz de mexer com suas oportunidades de vida e curá-las. Espero que todos que estão na plateia possam sentir a mesma emoção que sentimos aqui de cima”.

Quando a música transforma a vida das pessoas

Foto: Yve de Oliveira / PMG – Secel

Renan Vitoriano, de 27 anos, toca violino na OJMG há 4 anos, onde assume o papel de spalla, o braço direito do maestro. É ele o responsável por orientar a afinação, além de ser a referência para os outros instrumentistas.

“Quem gosta muito de rock vai sair daqui alucinado; os que gostam só um pouco, satisfeitos; e quem gosta da orquestra vai ficar muito feliz”, explica Renan com a seriedade técnica de quem sabe o que diz.

Foto: Yve de Oliveira / PMG – Secel

Para o jovem, o impacto do repertório desmistifica a ideia de que a orquestra é algo para as elites: “A Orquestra Jovem tem como objetivo estar cada vez mais perto do seu público, não importa de onde as pessoas vêm, se aqui do centro ou das regiões mais periféricas; a proposta deste projeto é aproximá-las da música por meio do rock, mostrar que a orquestra é algo simples, para todos”.

Com o mesmo nome, mas em posse de um instrumento diferente, o percussionista Renan Ladislau Santos, de 20 anos, aluno do 2º ano do curso de música da Escola de Comunicação e Artes da USP, estava certo da grande surpresa do público com o repertório, democratizando dessa forma ainda mais o acesso das pessoas aos bens culturais: “Todos vão gostar, não só aqueles que gostam de música popular, como o rock, mas também quem veio assistir a orquestra”, comemora.

Um sucesso feito a muitas mãos

Foto: Yve de Oliveira / PMG – Secel

Para o maestro Patarra, o grande diferencial do Rock em Concerto é mostrar para o grande público como a orquestra funciona: “A Orquestra não precisa ser uma coisa chata e é isso que está por detrás desse projeto, mostrar que a música pode quebrar barreiras, aproximar as pessoas, revelar talentos”.

Foto: Yve de Oliveira / PMG – Secel

E talento na OJMG é o que não falta. Quatro jovens se embrenharam na tarefa de elaborar arranjos para as músicas e o resultado não poderia ser diferente: ficou belíssimo. O clarinetista Alexandre Travassos cuidou dos arranjos de “No more tears”, “Welcome to the jungle”, “Smells like teen spirit”, “Beat it”, “Immigrant song” e “While My Guitar Gently Weeps”, enquanto o oboísta Martin Lazarov fez “Kashmir”, “Burn”, “Sympathy for the devil” e “Helter Skelter”. Já o pianista Rodrigo Morte fez “Back in Black”, “Perry Mason”, “Dream on”, “Pelados em Santos”, “House of the rising sun” e “By the way”. Por último, mas com a mesma incontestável genialidade, o violista Murilo Frias fez “Bohemian Rhapsody”.

Professor de viola caipira do Conservatório Municipal há 10 anos, José Helder comemora a realização do evento, que para ele, é sensacional: “Fico feliz em poder inserir esse instrumento nesse tipo de formação, porque sei que se há alguma coisa de pioneirismo no que fazemos, que é justamente tirar a viola daquele nicho só do sertanejo”, explica.

Uma nova forma de gerir a cultura na cidade

O Secretário-adjunto da Cultura, Adalmir Abreu comemorou a abertura da temporada 2017 da Orquestra Jovem e do Projeto A Praça é de Graça: “Esse trabalho é belíssimo e marca o início de uma grande temporada, que além de chegar aos CEUs e praças públicas, vai projetar o trabalho realizado pela orquestra para fora da cidade”.

Foto: Rodrigo Marcelo / PMG – Secel

Curioso e entusiasmado com o concerto, o Diretor de Cultura, Tiago Ortaet, parabenizou os promissores jovens e artistas da cidade: “Estou surpreso e satisfeito em ver a casa cheia de pessoas que vieram aqui esta noite para ver uma orquestra, isso mostra que nossa cultura tem força e está cada vez mais viva”.

Ortaet lembrou ainda que, contrariando o movimento de supressão de projetos musicais adotado por muitas cidades em todo o país, a cidade de Guarulhos se posiciona na contramão de uma lógica utilitária e perversa, colocando investimentos tanto na orquestra sinfônica e no Conservatório Municipal, quanto em outros projetos, como o MúsicaLivre, um novo espaço de música na cidade que vai acontecer todos os domingos, sempre às 17h, junto à chaminé do Adamastor Centro.

Sem dúvida a OJMG está cada vez mais viva e pulsa forte na vivacidade do seu corpo artístico, na genialidade dos jovens músicos e instrumentistas e na audácia de seu maestro.

Vale lembrar ainda que o Conservatório Municipal de Guarulhos tem novo endereço e está funcionando junto ao prédio da Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer na Rua Abílio Ramos, 122 – Macedo.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *