Jamil Maluf: Foto Internet.

    Muito oportuna, bem vinda  e justa foi a volta da Orquestra Experimental de Repertório a sua casa principal de apresentações: o Theatro Municipal que é o lugar apropriado para a ópera, vocação primeira do edifício da Praça Ramos de Azevedo, e por conseguinte a casa do ballet, e a sala de concertos da cidade de São Paulo. A presença do fosso de orquestra é que possibilita e apropria-se às exigências para a apresentação de óperas e espetáculos de ballet. Enfim é a nossa casa máxima para a arte sublime da música, da ópera e do ballet.
           Na manhã ensolarada de final de verão de 12 de março de 2017, o público feliz e ansioso aguardava a entrada da orquestra no palco do Theatro Municipal. Os Metais e Percussões da OER sob a regência de Thiago Tavares, abriram o concerto executando a Fanfarra para um Homem Comum, de Aaron Copland. O público procurava os grupos instrumentais espalhados pela sala de espetáculos, distribuídos nas galerias e na plateia. Ao final de correta leitura musical a casa plena aplaudiu calorosamente regente e músicos.
            O melhor estava por vir: Brindando o maestro Jamil Maluf que fundou a Orquestra Experimental de Repertório em 1990, os componentes do conjunto ocuparam o palco do Municipal juntando-se ao Coro Lírico Municipal, corpo artístico da casa,  da melhor qualidade: vozes encorpadas, bem timbradas e potentes interpretaram as belas Danças Polovetsianas, páginas brilhantes da ópera “Príncipe Igor”, de Alexander Borodin, estreada na Ópera de São Petersburgo a 23 de outubro de 1890. Sua composição durou quase  vinte anos, mas Borodin não conseguiu terminá-la. De sua conclusão incumbiram-se Rimsky-Korsakov e Glazunov. Para o assunto o compositor trouxe um estilo musical que é um misto de selvageria, música apaixonada e enérgica. A ópera gira em torno de uma tribo tártara da Ásia Menor, conhecida como tribo dos polovtzianos, e o enredo relata a captura do Príncipe Igor e de seu filho pelo tártaro cã Konchak durante o séc. XII. A interpretação tanto da orquestra quanto do coral, este preparado por Mario Zaccaro, foram de excelência musical.
              A Sinfonia nº 2 em si menor foi composta por Borodin, quando ainda seus pensamentos se achavam presos a sua ópera “O Príncipe Igor”, na qual vinha trabalhando durante vários anos. Portanto, é inevitável, que a sinfonia assimilasse um pouco do carater da ópera, assim como de seu próprio material temático. O seu espírito nacionalista e intenso, assume às vezes, as épicas proporções da ópera. Gerald Abraham chega a sugerir que “não seria impossível que esta sinfonia fosse o resultado de seu desespero por não ter conseguido realizar o “Igor” de seus sonhos. Talvez em certo sentido ela representasse aquele Igor ideal”.  E durou cinco anos sua composição: 1871/1876, com estreia no dia 10 de março de 1877 em São Petersburgo, sob a regência de Napravnik. Um ano depois a orquestração foi revista e a obra novamente apresentada, desta vez sob a batuta de Rimsky-Korsakov.. A orquestração definiu-se então com três flautas, dois oboés, dois clarinetes, dois fagotes, quatro trompas, dois trompetes, quatro trombones e contra-bass-tuba. Ampla percussão com tímpanos, bombo, pandeiro, pratos, triângulo, e um amplo conjunto do quinteto de cordas usuais somados à harpa. Constituída de quatro movimentos vislumbra-se a ferocidade tártara e a obra caracteriza-se por sua opulência e pelo esplendor oriental da própria instrumentação. O Allegro revelou coesão do conjunto especialmente nos sopros, do Scherzo e do Andante, sobressaíram-se o solo de clarinete, com acompanhamento de harpa e as sonoras cordas da orquestra. No Allegro final recebeu da percussão efusivo brilho e vivacidade para brindar as melodias que concluem a Sinfonia, onde Borodin estava obcecado pela imagem da Rússia feudal e procurou retratá-la em sua música sinfônica. O público soube retribuir a interpretação  fértil e vigorosa da orquestra, com muitos aplausos e pedidos de “bis”.
                Estão pois de parabéns o Maestro Jamil Maluf por continuar o seu trabalho de formação orquestral, do aprimoramento de seus músicos componentes, e o mais importante, de formar novos músicos para o futuro, e também o diretor artístico do Theatro Municipal, Cleber Papa,  homem de teatro e da arte, por se preocupar igualmente em formar novas plateias, através destes concertos do meio dia, das tardes de sábados, em eventos pedagógico-musicais, proporcionando assim ao público infanto-juvenil a chance de conhecer o fantástico mundo da música clássica, da ópera e do ballet, valorizando sobretudo os corpos artísticos do Theatro Municipal.
Escrito por Marco Antônio Seta, em 12 de março de 2017.
Jornalista Inscrito sob nº 61.909 MTB / SP

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